As crianças não brincam de brincar. Brincam de verdade... Por isso Nunca se deve tirar o brinquedo de uma criança, tenha ela oito ou oitenta anos. Mario Quintana


sábado, 17 de dezembro de 2011

A Cegueira da Alma: o caso dos olhos puxados


       Não vamos tratar aqui de uma cegueira decorrente da diabetes ou por complicações da sífilis. Muito menos de uma conseqüência da hipertensão arterial ou intracraniana. Embora semelhante, também não abordaremos a cegueira branca de José Saramago. Vamos falar da Cegueira da Alma, uma enfermidade que está acometendo muita gente grande desse mundo.

      A Cegueira da Alma é uma doença forte, cruel e sem limites. Ela afeta o consciente do homem através do seu inconsciente, transformando o ser humano em ser desumano. Dentre seus sintomas estão a arrogância, a intolerância, a brutalidade, a agressão, a violência, a barbaridade, a ignorância, a estupidez e diversos outros sentimentos malditos.

     Apesar de essa mazela infectar apenas os crescidos as principais vítimas são as crianças que convivem com os adultos doentes. Para termos uma idéia, um adulto infectado pode, entre outras atrocidades, violentar um recém nascido, forçar meninas de 9 anos de idade a se casarem com homens de 30, deixar uma criança de 8 anos em casa cuidando de outras duas mais jovens, sacudir um bebê com a intenção de fazê-lo “engolir” o choro.

      Quer mais? Analisemos então o vídeo abaixo. Ele foi gravado em algum lugar da China e mostra os momentos de desespero e sofrimento de uma criança atropelada por um homem contaminado pela Cegueira da Alma.

      Para entender melhor a gravidade da doença observem no vídeo quantos “olhos puxados” a Cegueira da Alma já infectou e quais as conseqüências para a criança envolvida.

"Assisti e chorei. Sofri. Para afogar tudo aquilo que eu tinha em meu peito, resolvi escrever. Nessa noite a Educação sonhou que estava cega.”


video


           

Cê ta de castigo. Vá ler um livro.

       
         Confesso que as palavras que precedem essa postagem não são consideradas socialmente virtuosas. Se ditas em algumas escolas elas geram multas aos seus locutores. Em outras, mesmo que faladas na hora do recreio, levam à castigos com a palmatória, à alguns açoites nas costas ou, acreditem, ao pior e mais maléfico de todos os castigos, que é escrever tais palavras proibidas cem, duzentas vezes para esquecê-las. Este ultimo nem os  "pestinhas" do 4º ano merecem.

            Numa moderna escola instalada nos arredores do Bar do Pedagogo os professores resolveram inovar, pois entendem que o castigo físico é um método já ultrapassado. Eles sabem que para uma instituição de ensino ser considerada moderna ela precisa deixar antigos costumes de lado. Foi então que decidiram substituir aquele objeto confeccionado em madeira com uma parte arredondada, incansavelmente utilizado outrora, pelo “pai dos burros que falam palavrão”: o livro de literatura. A nova punição adotada é fazer com que os estudantes que falam @#$%&?! na sala de aula ouçam, sem dó nem piedade, a mais temida e assustadora frase escolar: “Cê tá de castigo. Vá ler um livro”. Alguns alunos preferem ir para a recuperação em matemática à ouv-i-la.

            Contudo, os frutos desse belo trabalho logo surgiram. Nos primeiros três meses de utilização o urro “Cê tá de castigo. Vá ler um livro” reduziu em 50% os pronunciamentos chulos na escola e conseguiu afastar, para sempre, cerca de 137 alunos das obras machadianas. E esses números não param de crescer. 



sábado, 10 de dezembro de 2011

Diário da Educação: 03/12/2011

03/12/2011.

06h00min. A Educação abre os olhos, calça os chinelos e vai lavar-se ao banheiro.

06h30min. Toma café assistindo a reportagem do garoto de 11 anos que atirou na professora e em seguida suicidou-se. Pergunta para si mesma:

            - Será que levantei com o pé esquerdo, hoje?

07hs30min. Está no ponto de ônibus aguardando a condução. Ouve Duas Senhoras conversando sobre um caso de pedofilia acontecido numa escola municipal ali do bairro.

07hs50min. Ela enxerga seu ônibus no horizonte. O Motorista não reduz a velocidade e faz sinais com as mãos tentando explicar que está “lotado” e não pára. Todos na parada resmungam. O Senhor que também esperava a condução xinga o Motorista e o chama de mal educado.

08hs00min. A Educação sobe noutro ônibus com a esperança de que não vai se atrasar para o compromisso diário com a Humanidade.

12hs00min. A Educação vaga pela avenida Rio Branco. Seu estomago começa a reclamar o almoço. Na tentativa de enganá-lo, resolve comprar uma pipoca vendida por um Ambulante Analfabeto que cruza por ali. O Ambulante Analfabeto lhe passa o troco errado. A Educação, muito educada, devolve os centavos a mais. Ele não agradece, pois crê que a culpa foi dela. Ela pensa:

            - Preciso ter mais zelo com os Analfabetos.

16hs10min. A Educação pára numa banca. Compra uma revista que trata sobre escola cuja matéria de capa destaca: Jovem Brasileiro morre baleado dentro da sala de aula enquanto aprendia sobre a paz.

18hs00min. Está sentada na condução de volta ao seu lar.

18hs15min. Muito educada, cede seu lugar a uma Gestante, que imediatamente aceita, mas não lhe agradece a gentileza. Em mais um monólogo mental a Educação reflete:

            - Que a Criança que esta Gestante carrega ouça palavras de agradecimentos em sua educação.

18hs35min. Um Garoto entra no ônibus e grita:

            - Eu pudia tá robano por aê, mas invés disso tô aqui vendeno cocada. É só um real. Compre pá eu puder ajudar minha Mãe que tem sete Filhos pra criar. Olha a cocada. Cocada feita com muito carinho pra vocês. É só um real.

19hs30min. A Educação chega em casa. Deita-se no sofá da sala. Começa a pensar nos problemas que a Humanidade lhe comprovara a existência e adormece. Estava exausta.