As crianças não brincam de brincar. Brincam de verdade... Por isso Nunca se deve tirar o brinquedo de uma criança, tenha ela oito ou oitenta anos. Mario Quintana


sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Felicidade?



Respondeu o mais tolo: "Felicidade não existe."
O intelectual: "Não no sentido lato."
O empresário: "Desde que haja lucro."
O operário: "Sem emprego, nem pensar!"
O cientista: "Ainda será descoberta."
O místico: "Está escrito nas estrelas."
O político: "Poder"
A igreja: "Sem tristeza? Impossível.... (Amém)"
O educador riu de todos e, por alguns minutos, foi feliz!


Somnus: como está seu sono?




O Sono

O sono que desce sobre mim,                             
O sono mental que desce fisicamente sobre mim,  
O sono universal que desce individualmente sobre mim
Esse sono  
Parecerá aos outros o sono de dormir,  
O sono da vontade de dormir,  
O sono de ser sono.

Mas é mais, mais de dentro, mais de cima:   
É o sono da soma de todas as desilusões,   
É o sono da síntese de todas as desesperanças,   
É o sono de haver mundo comigo lá dentro   
Sem que eu houvesse contribuído em nada para isso.

O sono que desce sobre mim
É contudo como todos os sonos.  
O cansaço tem ao menos brandura,  
O abatimento tem ao menos sossego,  
A rendição é ao menos o fim do esforço,  
O fim é ao menos o já não haver que esperar.  

Há um som de abrir uma janela,  
Viro indiferente a cabeça para a esquerda  
Por sobre o ombro que a sente,  
Olho pela janela entreaberta:  
A rapariga do segundo andar de defronte  
Debruça-se com os olhos azuis à procura de alguém.  
De quem?,  
Pergunta a minha indiferença.  
E tudo isso é sono.  

Meu Deus, tanto sono!...

Álvaro de Campos, in "Poemas" 





Poema de um desesperado

Quero dormir
Não quero pensar
Que existe crianças
Morrendo de fome
Idosos vivendo nas ruas
Doentes morrendo de câncer
Não quero saber de nada
Só quero dormir
Dane-se as guerras
Os mutilados
Dane-se os bolsões de miséria
Dane-se os hospitais públicos
Dane-se o SUS
A Educação falida
Dane-se a Amazônia
O Pantanal
O Meio Ambiente
Só quero dormir
Maldito são os políticos
Os religiosos
Ladrões de almas inocentes
Dane-se os idiotas
Só quero dormir
Esquecer que tudo isto existe
Que a Terra não é Terra
Que o inferno é aqui
Só quero dormir
Danem-se todos
Mas na verdade
O que eu queria mesmo
Que este Planeta
Fosse de paz e de amor



O poder da imaginação!!!

Imagine que você trabalha em uma empresa em que os funcionários não ganham de acordo com sua competência, mas sim segundo seu tempo de casa e nível de estudo. 
Não há promoções, mas também só há demissão em casos de violação grotesca. 
Mesmo faltando repetidamente ao serviço, não alcançando sua meta ano após ano e maltratando seu cliente, você continua no posto até se aposentar. 
Imagine que não exista, em sua região, universidade que prepare bem para o seu emprego, de forma que você já chega ao trabalho não sabendo muito. 
Pior: tem gente que trabalha em área diferente daquela em que foi formada; o cara de vendas se formou em letras. Imagine que essa empresa só tenha dois cargos (funcionário e chefe) e que quase metade dos chefes tenha chegado ao cargo por indicação de um conhecido dos donos (o restante é majoritariamente eleito para a posição pelos funcionários). 
Imagine que os donos são muitos, que eles não costumam frequentar a empresa e que a herdaram como parte de um conglomerado, do qual a sua empresa é uma das que agregam menos valor aos donos. 
Imagine agora que o serviço prestado pela sua empresa é complexo e dirigido a crianças e jovens. Imagine também que essas crianças e seus pais não saibam julgar a qualidade do serviço, mas achem que está tudo bem, desde que você o empacote em uma embalagem bonita e dê aos clientes alguns brindes (uns livros, umas roupas, de repente até um laptop aos mais sortudos). A empresa consegue dar todos esses brindes; a maioria dos clientes está, portanto, satisfeita.
Imagine que os clientes e seus familiares não precisem pagar diretamente pelo serviço: o pagamento vem da empresa-mãe (a que congrega todos os negócios do grupo) e é baseado na compra de outros produtos e serviços oferecidos por outras empresas do grupo.

Agora pense nesse ambiente de trabalho e responda às seguintes perguntas:
Se você trabalhasse nele, estaria motivado a dar o seu melhor ou pegaria leve, esperando o contracheque no fim do mês? Como você acha que seus outros colegas de empresa se comportariam? Se lhe dessem um aumento salarial, você se esforçaria mais? Se você fosse uma pessoa carreirista, permaneceria nessa empresa? Aliás, você teria entrado nela? No caso dos chefes indicados pelos amigos dos donos, você acha que eles estariam mais preocupados em agradar aos clientes ou aos donos e seus amigos? No caso dos chefes eleitos por você e seus colegas, acha que eles comprariam briga com você para defender os interesses dos clientes ou virariam seus aliados? Presumindo que os clientes permanecessem satisfeitos e que continuassem pagando indiretamente pelo serviço, você acha que os donos se interessariam em reformar a empresa para que ela servisse melhor sua clientela, desse mais resultados? Ou será que suas prioridades seriam manter a coisa no estado em que se encontra e devotar suas energias para os outros braços do conglomerado, os que dão mais retorno?

          Não sei qual o grau de sua fé na humanidade nem suas crenças na natureza humana, mas eu tendo a achar que a empresa acima seria uma balbúrdia, com profissionais desmotivados e trabalhando abaixo de sua capacidade, clientes mal atendidos, conchavos entre funcionários e chefes, donos desinteressados e pouco envolvidos. Eu acho que melhorar o salário dos funcionários não mudaria o problema. Vou além: enquanto essa estrutura de incentivos não fosse alterada, qualquer investimento numa empresa assim seria um desperdício de tempo e dinheiro. Aliás, não é uma opinião, até porque esse cenário não é hipotético nem trata de empresas. O quadro descrito retrata a maioria das escolas públicas brasileiras. Os funcionários são os professores, os chefes são os diretores de escola, os donos são a classe política, os clientes são os alunos. O resto não carece de alterações para chegar à realidade.

          Aposto que você sabe que nossa educação é péssima e que esse problema é fatal para nossas possibilidades de desenvolvimento. Aposto também que você acha que esse problema não o afeta, especialmente se você põe seu filho em escola particular. Aposto que gasta mais tempo na seção de esportes do seu jornal do que naquela que cuida de educação. Se é que o seu jornal tem uma seção devotada ao assunto, já que 90% da cobertura do tema se limita a notícias sobre greves, ameaças de greve e outras reclamações salariais. E, até porque o assunto é apenas esse — dinheiro —, você acha (acha não: você tem certeza, depois de vinte ou trinta anos de leituras sobre o assunto) que o principal problema da educação brasileira é o salário dos professores. Aposto também que, dois parágrafos antes, você respondeu que aumentar o salário dos funcionários não resolveria nada, e aposto também que você gosta dos brindes (se você for mais pobre, merenda; se mais rico, lousa eletrônica ou currículo bilíngue) que a escola do seu filho dá.



domingo, 12 de agosto de 2012

Ao dia dos Pais: livro pê de pai

Uma homenagem aos pais e filhos que tornaram-se amigos.

video

Um pai é capaz de se transformar nas coisas mais incríveis:
num trator, num escadote,
num colchão, ou num esfregão...

Pê de pai é um livro que olha de perto a relação de cumplicidade
entre pai e filho. E que convida filhos e pais
a descobrirem-se juntos, ao virar de cada página.

A cor do som


Com seu silêncio, algumas imagens simplesmente cantam para nós.
O som do preconceito: será que ele é mesmo filho dela?
Mas também o som do calor materno, do afeto, da proteção.
O som da canção de ninar.
Ela cantava para o bebê enquanto fotografavam, com certeza.



O Capim

No Curso de Medicina, o professor se dirige ao aluno e pergunta:

- Quantos rins nós temos?
- Quatro! Responde o aluno.
- Quatro? Replica o professor, arrogante, daqueles que sentem prazer em tripudiar sobre os erros dos alunos.
- Traga um feixe de capim, pois temos um asno na sala. Ordena o professor a seu auxiliar.
- E para mim um cafezinho! Replicou o aluno ao auxiliar do mestre.
O professor ficou irado e expulsou o aluno da sala. O aluno era, entretanto, o humorista Aparício Torelly Aporelly (1895-1971), mais conhecido como o 'Barão de Itararé'.
- O senhor me perguntou quantos rins 'nós temos'.

Ao sair da sala, o aluno ainda teve a audácia de corrigir o furioso mestre:
- 'Nós' temos quatro: dois meus e dois seus. 'Nós' é uma expressão usada para o plural.
Tenha um bom apetite e delicie-se com o capim.


A vida exige muito mais compreensão do que conhecimento! 
Às vezes as pessoas, por terem um pouco a mais de conhecimento ou 'acreditarem' que o tem, se acham no direito de subestimar os outros . . .

E haja capim!!!