"É com carinho e sensibilidade que nós, pedagogos, precisamos pensar a educação de nossas crianças. Devemos aprender a educá-las para o mundo, primar por sua autonomia e respeitar seus desejos, suas pulsões e sua liberdade que, por muitas vezes, se confrontará com as nossas ordens (ordens de gente grande)."
Bar do Pedagogo






domingo, 20 de maio de 2012

Eu quero tchu

“Eu quero tchu, eu quero tcha, eu quero tchu tcha tcha tchu tchu tcha” 


Uns dizem que não é canção
Outros que é ruído

As rádios não dão outra opção
Os ouvidos já tão tudo doído

"Não gosto de ouvir", diz seu João
e Vovó, "que é coisa do Inimigo".




sábado, 7 de abril de 2012

O dia que fui brinquedo

O educador não deve se abaixar até a criança, mas elevar-se a ela e ao seu modo de ver e compreender  as coisas.

            Quando se trata da natureza infantil, aprendi que nela a fantasia é infinita: o que era lata vira carro, ser imaginário é melhor amigo.
            Estávamos na sala de estar. Eu e os Quatro Pequenos. Todos em cima de mim, literalmente. Vou tentar descrever.







            As Duas Menores me imobilizaram abraçando minhas pernas. Caí sentado no sofá. O Garotinho pegou meu braço e puxou contra seu corpo deitado. A Mais Velha, de oito anos, não perdeu tempo. Subiu logo nas almofadas, e começou uma difícil e divertida escalada na montanha de carne que ela entendeu ser as minhas costas. O cume era o meu cangote¹. Foi então que percebi que estava em apuros. Ora! Imagine, eram quatro, QUATRO grandes e persistentes guerreiros mirins superpoderosos contra um singelo adulto desarmado. Eu precisava reagir rápido, pois meu fim parecia bem próximo. Para não ser derrotado, incorporei um monstro forte e mal encarado que meu pai criara durante minha infância. Ele possuía enormes mãos fazedoras de cócegas. Comecei a revidar. A cada golpe que dava os risos e gargalhadas espirravam para todos os lados. Um a um, eles sucumbiram. Foi um verdadeiro e hilário massacre. A Mais Velha caída e sem forças, limpou os risos que ainda escorriam de sua boca e me falou: “Tio, você parece um brinquedo. A gente pula, monta, sobe, brinca em cima de você igualzinho a um parquinho. Faz de novo! Vai faz!”.
            Seria mais um fim de tarde igual a qualquer outro. Comum se não fosse o comentário dessa criança. Pode um adulto ser comparado a um brinquedo? Eu, um brinquedo? Como pode isso?
            A sabedoria infinita daquela garotinha me fez refletir sobre quem quero ser: um educador que entende que pode fazer diferença para alguém em algum lugar, em alguma ocasião. Basta apenas conseguir enxergar esses momentos.
          Agora sei que crianças são capazes de trocar qualquer brinquedo por alguns momentos de diversão com um Adulto Brinquedo. É como se as borboletas ignorassem o perfume e a beleza das flores para pousar nos ombros cativados de um homem...
          E com os beijos, abraços e brincadeiras dos meus pequenos vou vivendo. É assim que me renovo.

Nota¹: Parte posterior do pescoço.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

O professor, o educador e as estrelas-do-mar de Pitangui/RN

          Tinha um Professor que morava na praia de Pitangui/RN. Todo dia pela manhã ele caminhava contemplando as cores do mar e respirando a doce brisa salgada daquele pedaço do litoral nordestino. Dizia ele, que esse ritual era o mais valioso combustível que lhe fazia continuar a seguir nos seus arrastados 10 anos de carreira docente.
          Certo dia, viu um Jovem Educador devolvendo gentilmente ao mar, as estrelas-do-mar que eram trazidas até à areia pela força das ondas. Ao reconhecer que era um ex-aluno de uma brilhante escola ambiental que existe por lá, o Professor aproximou-se e perguntou:
            - Por que tu fazes isso meu rapaz?
            Prontamente o Jovem Educador respondeu:
            - Porque se eu deixá-las ao sol, elas vão secar e morrer.
            Ouvindo isso, o Professor, sujeito de conhecimentos superiores, respondeu-lhe:
        - Mas meu jovem existem milhões e milhões de quilômetros de praias ao redor do mundo, com milhões de estrelas-do-mar e com um sol tão escaldante quanto esse que doura tua pele. Você aqui não fará diferença.
            O Jovem Educador escutou calado. Sem responder, abaixou-se. Com um ar sereno e sossegado que só os educadores possuem, pegou uma linda estrela-do-mar em uma de suas mãos e disse:
            - Sei que são muitas as estrelas perdidas, mas veja esta linda estrela em minhas mãos...
            E lançando-a ao mar, continuou:
            - Posso não fazer a diferença para todas, mas para esta eu acabei de fazer!

         Aquela experiência foi tão perplexa e incômoda que o Professor não instruiu mais suas aulas. Não conseguiu engolir a lição que recebera. Foi como se uma espinha de peixe estivesse atravessada em sua garganta impedindo-o de engolir o belo exemplo. E quando engoliu, a digestão o empurrou numa profunda crise de identidade profissional. A atitude do Jovem Educador o fez compreender que Professores são muitos, Educadores são Um. Ele sentiu-se um náufrago no imenso e complexo mar da educação, pois a reflexão o fez descobrir que nunca alcançara o educar e o cuidar, não fazia a diferença para as belas estrelinhas-do-mar que tinha em sala de aula. Ele apenas lecionava.
          Resolveu então arremessar sua carreira no abismo dos maus professores que pedem demissão e saiu da escola. Dedica-se agora ao turismo da região.
          Quanto ao Jovem Educador? Ele ainda pode ser encontrado fazendo a diferença naquela praia.


Texto causado por três anos de convivência matinal com um sempre Jovem Educador de “peso”, membro SaintClair de uma Escola que as estrelas-do-mar e a maresia afirmam ser das Dunas de Pitangui/RN.
O post é uma adaptação da "Parábola das estrelas-do-mar" e utiliza algumas colagens de suas diversas versões encontradas na internet.

Educar é pra poucos

           Educar é um ato heroico em qualquer cultura.
          Talvez seja pelo fato de que educar exige que a pessoa saia um pouco de si e vá ao encontro do outro; um outro que me questiona; um outro que me confronta com meus próprios fantasmas, meus próprios medos, minha própria insegurança.
          Talvez seja pelo fato de educar exige sacrifício, exige renuncia de si, exige abandono, exige fé, exige um salto no escuro.
            Talvez por isso seja algo para poucos.
            Seja para pessoas que acreditam nas outras pessoas.
            Seja para pessoas que não se acomodaram diante da mesmice que a sociedade pede todos os dias.
            Talvez por isso seja mais fácil encontrar professores que educadores.
            Professores são donos do conhecimento.
            Educadores são mediadores.
            Professores são profissionais de ensino.
            Educadores fazem do ensino um estimulo para crescimento pessoal.
            Professores usam a palavra como instrumento.
            Educadores usam o silêncio.
            Professores batem as mãos na mesa.
            Educadores batem o pé no chão.
            Professores são muitos.
            Educadores são Um.
            O educador tem os pés no chão, mas sua cabeça esta sempre nas alturas porque acredita que quem está à sua frente não é um cliente esperando para ser atendido, mas uma pessoa aguardando orientação para seguir os passos. Esta é a razão de ser educador. Está é sua esperança. E, para isso, o educador precisa ser inteiro, precisa ser completo, precisa estar em sintonia consigo mesmo e com o universo.
            Por isso é para poucos, mas não deveria ser assim. O ideal seria que toda sociedade estivesse voltada para a realização de todos e não apenas para a de alguns
privilegiados que se sentem como deuses e querem decidir a vida das pessoas. O certo seria que todo ser humano desenvolvesse seus dons e talentos para o bem de todos e que não fossem algo extraordinário alguém sobressair-se por causa de seu potencial artístico. Simplesmente deveria ser assim com todos; deveria ser comum todos os seres poderem expressar sua alegria de estar vivo sem precisar “vender” seus talentos para manterem-se vivos.
             Infelizmente, no entanto, a realidade que vivemos foi “pensada” de um jeito tal que as pessoas são compreendidas como máquinas de ganhar dinheiro, como objetos de consumo, como um monte de lixo que servirá apenas de estrume para aqueles que dominam o sistema atual.
         É preciso reverter este quadro. É preciso que os professores criem uma consciência nova, dinâmica, ancestral, para que um novo jeito de pensar venha à tona e possa colocar em xeque-mate uma sociedade que desvaloriza o ser humano em detrimento do dinheiro, do acúmulo, do consumo. É preciso que os professores virem educadores de verdade e possam despertar nossos para o futuro que se inscreve em nossa memória ancestral. Só assim teremos um amanhã. 


Sobre piolhos e outros afagos
Daniel Munduruku
Editora Palavra de Índio



segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Carta de apelo aos Deuses

Datada de 01/01/2012

Saudações Divindades.
É com muita esperança que vos escrevo.

            Faz mais de dois mil anos que lhes discorro e são mais de dois mil anos sem retorno. Nenhum email, nenhuma msg, fax ou scrap. Nada. Se ao menos vocês ficassem on no MSN...
            Por favor, suplico-lhes que me respondam.
            Por que vocês permitem que aproximadamente 925 milhões de pessoas no mundo não comam o suficiente para serem consideradas saudáveis? É obvio que vocês sabem que isso significa que uma em cada sete pessoas no planeta vai para a cama com fome todas as noites. Mães desnutridas muitas vezes dão à luz bebês abaixo do peso. Essas crianças tem 20% mais probabilidade de morrer antes dos cinco anos de idade. Cerca de 17 milhões de crianças nascem abaixo do peso a cada ano.
            Por que vossas magnificências fecharam os olhos para os campos de concentração da segunda grande guerra do século XX?
            Quantos moleques na vida do crime? Quantas famílias na vida do crime? Quantas autoridades na vida do crime? Sem falar daqueles políticos que vivem e sobrevivem da vida do crime.
            Por que vocês deixaram que as lágrimas se tornassem sinônimo de rotina para as crianças órfãs dos intensos conflitos religiosos na Europa e no oriente médio?
            A acústica de vossos palácios não lhes permitem ouvir a sinfonia dos alvoroços e gritos de todas essas vítimas?
            O Homem que vocês criaram, sabiamente à vossa imagem e semelhança, parece não ter limites.
            Por um mero olhar curioso a esposa de Ló (isso mesmo, esposa de Ló. A história não menciona o nome desta pobre coitada) foi transformada em estátua de sal. Façam alguma coisa. Recordo que por muito menos aqueles dois jovens inocentes foram castigados. Lembram da maçã?
            Diariamente muitos de meus professores trabalham com medo, sob ameaças. Com receio de serem mais uma vítima do avançado e democrático sistema educacional brasileiro.
            Já me passou de um dia parar com tudo isso. Essa vida louca. Mas de que jeito?
            Se não sou a solução, será que sou eu o problema? Ou se não sou o problema, será que está em mim a solução?
            De uma coisa tenho certeza: a ferida está aberta e eu não consigo estancar.
            O que vocês estão esperando?
            Se preferem continuar escondidos em vossos paraísos, então façam-me um instrumento de vossa paz.
            Mas não demorem. Apesar dos meus esforços, sinto-me sem forças.

Atenciosa e desesperadamente,
Educação
PS: É com lástimas que o Bar do Pedagogo informa que, apesar das várias tentativas de entrega, faz 2012 anos que as cartas vem sendo devolvidas com o carimbo “Remetente ausente ou não localizado” no verso. Contudo, a Educação não desistirá. Embora pareça em vão, ela insistirá exaustiva e incansavelmente no (re)envio. De toda forma, parece que só nos resta rezar, orar, pedir benção, fazer trabalho, despacho, jejuar... e/ou buscar coragem no fundo de nossas entranhas e enfrentar com franqueza, seriedade e dedicação os nossos desafios. A Educação precisa de nós.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Carnaval serve para quê?

Em um sonho que sonhei, Paulo Freire me disse:
Nosso Brasil está sendo carnaval, está sendo bunda.
Nosso Brasil precisa "ser mais".


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Governo Federal lança campanha pela proteção das crianças e adolescentes no carnaval

Não vamos ignorar os direitos de nossos pequenos cidadãos. Precisamos sair do conformismo e encarar a violência sexual de frente.




          A grande mobilização do Governo Federal, liderada pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), para proteção dos direitos de crianças e adolescentes no carnaval, pretende contar em 2012 com a ajuda de toda a sociedade para o enfrentamento do problema. Com o Slogan “LIGA DA PROTEÇÃO – Proteja nossas crianças e adolescentes. Violência sexual é crime. Denuncie”, a campanha estará presente em 19 capitais brasileiras. A ministra da SDH/PR, Maria do Rosário, participará dos lançamentos da campanha em Salvador e Recife, nos dias 16 e 17, respectivamente.
          O objetivo da mobilização, segundo a ministra Maria do Rosário, é convocar a sociedade para a responsabilidade de proteger as crianças e adolescentes. “Carnaval é festa, é alegria, diversão, mas é também proteção. Queremos que toda a população esteja atenta ao que acontece com nossas crianças e adolescentes e denuncie qualquer violação, seja através do Disque 100 ou do Conselho Tutelar da sua cidade”, disse.
Maria do Rosário explicou ainda que a campanha liderada pelo governo federal pretende formar uma grande rede de atenção e cuidado. “Queremos que todas as pessoas que se preocupam com os nossos meninos e meninas estejam na Liga da Proteção. Quanto maior for essa Liga, mais crianças estarão protegidas nesse carnaval”, enfatizou.
          A mobilização acontecerá nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Salvador, Vitória, Belo Horizonte, Natal, João Pessoa, Boa Vista, Campo Grande, Rio Branco, Goiânia, Florianópolis, Curitiba, Porto Alegre, Brasília, Manaus, Fortaleza e Belém. A ideia é realizar atividades de sensibilização para o período pré-carnavalesco com foco na prevenção, além de mobilizações durante todo o carnaval, que envolvam a divulgação do Disque Direitos Humanos – o Disque 100 – serviço gratuito que funciona 24h nos sete dias da semana para receber denúncias de violência contra crianças e adolescentes e do Conselho Tutelar.
          A ampla divulgação por meio da internet será também um trunfo para redução da incidência de casos de violência sexual na infância e adolescência durante o período festivo. As ações na rede compreendem a mobilização pelas mídias sociais com a hashtag #ligadaprotecao e pelo site http://ligadaprotecao.com.br.
          Durante o período carnavalesco serão distribuídas peças com a arte da campanha divulgando o serviço. As ações serão feitas por meio de marketing, tais como jingle, cartazes, banners, adesivos, camisetas, bonés, dentre outros. A mobilização será realizada em blocos de carnaval, aeroportos, rede hoteleira, bares, restaurantes, rodoviárias e estradas.
       A realização é uma parceria da SDH/PR estados, municípios, Comissão Intersetorial de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, que reúne ministérios e outros órgãos da administração federal envolvidos na implementação de políticas integradas que enfrentem a violência sexual. Participam ainda desse colegiado organismos internacionais e representantes da sociedade civil organizada e de empresas.
         Disque Direitos Humanos – O Disque Direitos Humanos, ou Disque 100, é coordenado pela SDH/PR, com apoio da Petrobras, que funciona 24h nos sete dias da semana. A ligação é gratuita e pode ser feita a partir de qualquer região do Brasil, de telefones fixos ou celulares. Ao longo de 2011 o Disque fez 866.088 atendimentos e recebeu 82.281 denúncias de violações dos direitos de crianças e adolescentes. Todas foram encaminhadas às autoridades locais competentes. Desde maio de 2003, quando o serviço entrou em funcionamento, foram realizados mais de 3 milhões de atendimentos e recebidas 227.427 denúncias.



sábado, 17 de dezembro de 2011

A Cegueira da Alma: o caso dos olhos puxados


       Não vamos tratar aqui de uma cegueira decorrente da diabetes ou por complicações da sífilis. Muito menos de uma conseqüência da hipertensão arterial ou intracraniana. Embora semelhante, também não abordaremos a cegueira branca de José Saramago. Vamos falar da Cegueira da Alma, uma enfermidade que está acometendo muita gente grande desse mundo.

      A Cegueira da Alma é uma doença forte, cruel e sem limites. Ela afeta o consciente do homem através do seu inconsciente, transformando o ser humano em ser desumano. Dentre seus sintomas estão a arrogância, a intolerância, a brutalidade, a agressão, a violência, a barbaridade, a ignorância, a estupidez e diversos outros sentimentos malditos.

     Apesar de essa mazela infectar apenas os crescidos as principais vítimas são as crianças que convivem com os adultos doentes. Para termos uma idéia, um adulto infectado pode, entre outras atrocidades, violentar um recém nascido, forçar meninas de 9 anos de idade a se casarem com homens de 30, deixar uma criança de 8 anos em casa cuidando de outras duas mais jovens, sacudir um bebê com a intenção de fazê-lo “engolir” o choro.

      Quer mais? Analisemos então o vídeo abaixo. Ele foi gravado em algum lugar da China e mostra os momentos de desespero e sofrimento de uma criança atropelada por um homem contaminado pela Cegueira da Alma.

      Para entender melhor a gravidade da doença observem no vídeo quantos “olhos puxados” a Cegueira da Alma já infectou e quais as conseqüências para a criança envolvida.

"Assisti e chorei. Sofri. Para afogar tudo aquilo que eu tinha em meu peito, resolvi escrever. Nessa noite a Educação sonhou que estava cega.”


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Cê ta de castigo. Vá ler um livro.

       
         Confesso que as palavras que precedem essa postagem não são consideradas socialmente virtuosas. Se ditas em algumas escolas elas geram multas aos seus locutores. Em outras, mesmo que faladas na hora do recreio, levam à castigos com a palmatória, à alguns açoites nas costas ou, acreditem, ao pior e mais maléfico de todos os castigos, que é escrever tais palavras proibidas cem, duzentas vezes para esquecê-las. Este ultimo nem os  "pestinhas" do 4º ano merecem.

            Numa moderna escola instalada nos arredores do Bar do Pedagogo os professores resolveram inovar, pois entendem que o castigo físico é um método já ultrapassado. Eles sabem que para uma instituição de ensino ser considerada moderna ela precisa deixar antigos costumes de lado. Foi então que decidiram substituir aquele objeto confeccionado em madeira com uma parte arredondada, incansavelmente utilizado outrora, pelo “pai dos burros que falam palavrão”: o livro de literatura. A nova punição adotada é fazer com que os estudantes que falam @#$%&?! na sala de aula ouçam, sem dó nem piedade, a mais temida e assustadora frase escolar: “Cê tá de castigo. Vá ler um livro”. Alguns alunos preferem ir para a recuperação em matemática à ouv-i-la.

            Contudo, os frutos desse belo trabalho logo surgiram. Nos primeiros três meses de utilização o urro “Cê tá de castigo. Vá ler um livro” reduziu em 50% os pronunciamentos chulos na escola e conseguiu afastar, para sempre, cerca de 137 alunos das obras machadianas. E esses números não param de crescer. 



sábado, 10 de dezembro de 2011

Diário da Educação: 03/12/2011

03/12/2011.

06h00min. A Educação abre os olhos, calça os chinelos e vai lavar-se ao banheiro.

06h30min. Toma café assistindo a reportagem do garoto de 11 anos que atirou na professora e em seguida suicidou-se. Pergunta para si mesma:

            - Será que levantei com o pé esquerdo, hoje?

07hs30min. Está no ponto de ônibus aguardando a condução. Ouve Duas Senhoras conversando sobre um caso de pedofilia acontecido numa escola municipal ali do bairro.

07hs50min. Ela enxerga seu ônibus no horizonte. O Motorista não reduz a velocidade e faz sinais com as mãos tentando explicar que está “lotado” e não pára. Todos na parada resmungam. O Senhor que também esperava a condução xinga o Motorista e o chama de mal educado.

08hs00min. A Educação sobe noutro ônibus com a esperança de que não vai se atrasar para o compromisso diário com a Humanidade.

12hs00min. A Educação vaga pela avenida Rio Branco. Seu estomago começa a reclamar o almoço. Na tentativa de enganá-lo, resolve comprar uma pipoca vendida por um Ambulante Analfabeto que cruza por ali. O Ambulante Analfabeto lhe passa o troco errado. A Educação, muito educada, devolve os centavos a mais. Ele não agradece, pois crê que a culpa foi dela. Ela pensa:

            - Preciso ter mais zelo com os Analfabetos.

16hs10min. A Educação pára numa banca. Compra uma revista que trata sobre escola cuja matéria de capa destaca: Jovem Brasileiro morre baleado dentro da sala de aula enquanto aprendia sobre a paz.

18hs00min. Está sentada na condução de volta ao seu lar.

18hs15min. Muito educada, cede seu lugar a uma Gestante, que imediatamente aceita, mas não lhe agradece a gentileza. Em mais um monólogo mental a Educação reflete:

            - Que a Criança que esta Gestante carrega ouça a palavra “obrigada” em sua educação.

18hs35min. Um Garoto entra no ônibus e grita:

            - Eu pudia tá robano por aê, mas invés disso tô aqui vendeno cocada. É só um real. Compre pá eu puder ajudar minha Mãe que tem sete Filhos pra criar. Olha a cocada. Cocada feita com muito carinho pra vocês. É só um real.

19hs30min. A Educação chega em casa. Deita-se no sofá da sala. Começa a pensar nos problemas que a Humanidade lhe comprovara a existência e adormece. Estava exausta.

sábado, 26 de novembro de 2011

Elogio da Loucura

Numa dessas ricas conversas entre professores e alunos das quais os corredores da UFRN são testemunhas oculares, ouvi de um professor uma resenha do livro Elogio da Loucura, cuja autoria é do Erasmo de Rotterdam. Naquele momento, percebi meus ouvidos enviando suas famintas ordens para minhas glândulas salivares e, inexplicavelmente, comecei a salivar como se estivesse escutando o cheiro do feijão que só mamãe sebe preparar. Para satisfazer aquela fome desgraçada que me acometeu, convidei minha digníssima esposa a ir comigo no restaurante que vende livros (leia-se: livraria Siciliano do Natal Shopping) e pedi aquele prato que foi cozido no forno da loucura (leia-se: o livro Elogio da Loucura). Desde então venho padecendo na sua eterna digestão.

Erasmo faz na obra Elogio da Loucura fortes críticas as atitudes do homem e o acusa de utilizar a Loucura para a tomada de suas decisões. O autor considera que todos os atos humanos são desencadeados pela Loucura.
No discurso XIII, a Loucura - que durante todo o livro se apresenta em primeira pessoa, defendendo sua figura e seu ponto de vista - nos presenteia com o belíssimo argumento abaixo:
           E para começar, quem não sabe que a primeira idade do homem é para todos, de longe, a mais alegre e agradável? Mas o que tem as crianças que nos faz beijá-las, abraçá-las, acariciá-las tanto, que até os inimigos lhes vêm em auxílio? O que senão a graça que vem da falta de juízo, aquela graça que a prudente natureza se empenha em infundir nos recém-nascidos para que, por uma espécie de compensação agradável, possam amenizar as fadigas de quem os educa e conquistar a simpatia de quem deve protegê-los? E da adolescência que se segue à infância, como agrada a todos, que entusiasmo sincero provoca, que atenções carinhosas recebe, com que bondade todos lhe estendem a mão! Mas de onde vem, por favor, essa benevolência para com a juventude? De onde, senão de mim? É por mérito meu que os jovens são tão carentes de juízo; por isso estão sempre de bom humor. Eu mentiria, porém se não admitisse que tão logo crescem um pouco e começam a adquirir certa maturidade com a experiência e a educação, a beleza logo murcha, diminui a alegria, esmorece a graça, decresce o vigor. Quanto mais se distanciam de mim, menos vivem (...) p. 25.
 
           Em outro momento ela, a deusa Loucura, nos brinda com o seguinte:

           Em suma, sem mim nenhuma sociedade, nenhum relacionamento feliz poderia durar. O povo cansar-se-ia do príncipe; a serva, da patroa; o professor, do aluno; o amigo, do amigo; a mulher, do marido (...) se de vez em quando não se enganassem uns aos outros, ora adulando-se, ora sabiamente fingindo não ver, ora bajulando-se com o mel da loucura. (...) p. 35.
Nos trechos citados, percebemos o quanto o autor foi terno e abusado em suas palavras. Por isso, por causa de sua maneira peculiar e atrevida de expor seus argumentos, ele conseguiu prender meu inconsciente nas suas palavras. Elogio da Loucura é uma obra prima que propõe enriquecer nosso repertório de idéias “loucas”.

Concluo tendo a certeza que para um indivíduo (eu) se inscrever, influenciado por outro, num vestibular para Pedagogia, ter a sorte de conseguir ser aprovado no certame, querer concluir o curso e dizer que possui coragem de mergulhar no mar de torturas dos pedagogos formados pela UFRN, precisa ser, no mínimo, “louco” com L maiúsculo. “Louco” não, muito “Louco”. Pobre alma.


Por Rodrigo Barros

Referência: ROTTERDAM, Erasmo de. Elogio da Loucura. Tradução de Paulo Sergio Brandão. São Paulo: Martin Claret, 2008.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Another Brick in The Wall (Traduzido)


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     A música Another Brick in The Wall (Um Outro Tijolo na Parede) da banda Pink Floyd é uma forte crítica a postura adotada por alguns professores em sala de aula e questiona o papel da escola na educação do indivíduo. Traz consigo um sentimento pretenciosamente provocante ao nos mostrar que tipo de educação escolar devemos combater e o quanto o ensino tradicional contribui para sermos apenas "um outro tijolo na sociedade."

Click e confira! 

Por que educar?

     Por que educar?
     Por que o ser humano precisa se educar?
     Nota-se que essa segunda forma, aparentemente inocente, de fazer a pergunta já sugere a direção em que a resposta deve ser buscada.
     Poderíamos ter perguntado: Por que o ser humano precisa ser educado? Essa forma de fazer a pergunta de certo modo já aponta para uma resposta que pressupõe que o ser humano é objeto de uma ação educativa de terceiros.
     A formulação anterior, "por que o ser humano precisa se educar", por outro lado, sugere que ele possa - e deva - se educar a si próprio... Essas questões são complicadas. Aqui vamos procurar concentrar nossa atenção nesta questão "por que educar?" sem definir com mais rigor se um ser humano é educado por outros seres humanos ou se ele se educa a si próprio - ou, possivelmente, se acontece uma mistura dessas duas coisas à medida que a sua educação evolui.
     A discussão do "por que" do educar vai, posteriormente, nos levar à discussão do "para que" do educar, porque essas duas questões são, como se verá, estreitamente ligadas. 
     Então: por que educar?
     Nós, os seres humanos, e todos os demais seres, animados ou inanimados, temos uma natureza própria. É difícil definir com precisão qual é a natureza humana (tendo havido até os que negam que ela exista...). Mas há certos elementos básicos dos quais é difícil fugir. O ser humano (envolvendo, naturalmente, o macho e a fêmea da espécie) é, sem dúvida, um animal. Como os outros animais, ele se alimenta, se defende de ambientes hostis (incluindo a própria natureza física, outros animais, e até mesmo outros seres humanos), cresce, se reproduz, e morre. 
    O ser humano, porém, é diferente dos outros animais, que já nascem com vários instintos que lhes facilitam viver e lhes permitem sobreviver - ou, pelo menos, que os ajudam a sobreviver. Boa parte dos outros animais é capaz de se locomover com certa autonomia quase que desde o momento do nascimento. Muitos aprendem a se alimentar e a se defender bastante cedo e se tornam adultos e autônomos (até mesmo para se reproduzir) com razoável rapidez (em relação à duração total de sua vida). O ser humano, não. O bebê humano é um incapaz perfeito. Se desassistido, morre em pouco tempo. Leva quase um ano para conseguir andar precariamente, mais de dois anos para se comunicar minimamente com seus semelhantes, de cinco a dez anos para se tornar relativamente autônomo na busca de alimento, de doze a quinze anos para conseguir se reproduzir. Além disso, não é extremamente veloz, não enxerga nem ouve tão bem quanto alguns outros animais, não tem muita força, não tem dentes caninos poderosos nem garras ameaçadoras que possam ajudá-lo no combate com outros animais.
     Os outros animais desenvolvem essas características de forma instintiva, basicamente natural, sem muito esforço de sua parte. Basta, em grande medida, deixar passar o tempo que eles se tornam aquilo que está geneticamente programado que eles devem ser. Mesmo que seja possível interferir nesse desenvolvimento, como, por exemplo, acontece quando domesticamos certos animais selvagens, isso se faz através da ação de uma outra espécie (no caso, os seres humanos), não através da ação dos membros da mesma espécie. Um casal de leões não consegue domesticar seus leõezinhos para que eles se tornem menos ferozes... nem um casal de esquilos consegue tornar os seus filhotes ferozes para que possam sobreviver melhor...
     O ser humano não tem nada disso. Ele nasce, como se disse, um perfeito incapaz. Mas ele tem um potencial muito maior do que o dos demais animais - tanto que, ao longo de sua evolução, veio a dominá-los, embora eles, em geral, sejam mais fortes, mais rápidos, mais ferozes do que ele...
     Isso se dá porque, felizmente (para nós), o ser humano tem uma ferramenta de sobrevivência que os demais animais não têm: sua razão (que o torna um animal especial). Assim, o homem não é um mero animal: é um animal racional, que possui, como ferramenta de sobrevivência, sua capacidade de perceber o mundo de uma forma sui generis, construindo conceitos e emitindo juízos, imaginando estados de coisas que não existem, criando valores e agindo para transformá-los em realidade.
     É essa natureza humana que torna possível que o ser humano seja capaz de olhar ao seu rodar, perceber a realidade que o cerca, mas não se contentar com ela. Mas a natureza do ser humano não o obriga a viver em descontentamento: ela lhe permite tomar a decisão de transformar a realidade que não o satisfaz. Para transformá-la, ele tem, primeiro, que imaginar uma realidade diferente, que ainda não existe, para, em seguida, se perguntar, "Por que não?", e, daí, começar a construí-la. Ao concluir que determinada realidade não o satisfaz, o ser humano está atribuindo valores - em alguns casos a objetos e estados concretos, que existem ao seu redor, em outros casos a objetos e estados de coisas (ainda) inexistentes, em outros casos a idéias, ideais e valores, pelos quais ele muitas vezes se dispõe a arriscar sua vida, isto é, seu bem mais precioso...
     É parte da natureza do ser humano a sua capacidade de sonhar, de se propor objetivos e metas, de se apaixonar por seus sonhos, de construir planos para transformar esses sonhos em realidade e para alcançar seus objetivos e metas, de agir na execução dos seus planos, de revisá-los e ajustá-los, quando necessário, de persistir na busca dos seus sonhos mesmo na face da maior adversidade, de pensar a longo prazo, de se preocupar com o que a posteridade vai pensar dele depois de ele morrer...
     Infelizmente essa ferramenta de sobrevivência do ser humano não funciona automaticamente como funciona o instinto de sobrevivência dos animais. Ela só funciona se o ser humano, por um ato de vontade, desejar que ela funcione, decidir que vai usá-la e se preocupar em aprimorá-la e aperfeiçoá-la. E isso o ser humano só consegue fazer a partir do momento em que alcança uma certa maturidade - algo que começa a acontecer quando ele chega na adolescência - e não termina nunca mais... O momento do "estalo" (como o estalo de Vieira) se dá quando o ser humano percebe que sua vida não é geneticamente programada para ele, como a dos animais, e que, para sobreviver, ele tem que construir a sua própria existência, em liberdade. A construção de sua própria vida é o maior projeto que um ser humano tem diante de si. Nisso somos iguais.
     Mas somos drasticamente diferentes um dos outros nos projetos de vida que elaboramos para nós mesmos. Por isso a liberdade é essencial: para nos permitir construir projetos de vida drasticamente distintos. É nesse momento que o ser humano percebe que, para construir a sua vida, ele tem que conhecer uma série de coisas: a realidade natural que o cerca, a sociedade em que vive, e, naturalmente, ele próprio. Nesse processo, ele vai descobrir que algumas coisas contribuem para que ele viva a vida que deseja viver (com que sonhou), outras conspiram contra ela, outras são indiferentes. E ele vai aprender a conscientemente atribuir valor a tudo que o ajuda a viver a vida que ele escolheu viver, combater o que conspira contra seus planos, e, provavelmente, ignorar o restante. Nesse processo o ser humano vai desenvolvendo sua moralidade. Ele vai aprendendo que o moralmente certo é aquilo que o ajuda a viver a sua vida como ser racional, livre, autônomo, responsável, solidário - e o imoral é aquilo que o impede de alcançar a plenitude daquilo que ele concebe como o ser humano. 
     A adolescência é, em geral, um período de conflitos porque, nos anos que a antecedem, outras pessoas, em geral os pais, sonham com o que seus filhos serão um dia, constroem projetos de vida para eles... E esses sonhos e projetos podem não corresponder exatamente aos sonhos e projetos que eles têm para si próprios... Às vezes as divergências não são tão grandes quanto ao objeto dos sonhos e projetos, mas, sim, quanto à forma, ou ao momento, de transformá-los em realidade...
     Por que educar?
     O ser humano se educa porque ele, embora tenha um potencial enorme ao nascer, pode, por uma série de fatores, não vir a desenvolver todo o seu potencial. Para que ocorra, o desenvolvimento do seu pleno potencial humano precisa ser visto como o principal projeto de sua vida - e ser visto assim não só pelo ser humano, individualmente, mas por aqueles que o cercam: a família, a comunidade, e, a partir de um determinado momento, a escola, e até mesmo a sociedade, como um todo, em que ele vive.
     A educação do ser humano começa quando ele nasce - e termina apenas quando ele morre. A educação é o processo mediante o qual o ser humano se capacita para viver - para viver seus sonhos, para viver seus projetos, para viver, enfim, a vida que escolheu para si próprio. 


Autor: Eduardo O C Chaves

Trabalho Infantil

     Trabalho infantil gera lucro pra quem explora, pobreza pra quem é explorado, faz parte da cultura econômica brasileira e está diretamente ligado ao trabalho escravo. A quem incomoda a luta contra o trabalho infantil? Incomoda aos que se incomodam com a luta contra o trabalho escravo. Incomoda aos que se incomodam com a luta contra o trabalho degradante. O combate ao trabalho infantil incomoda a quem lucra com o trabalho infantil, a quem lucra com o trabalho escravo e a quem lucra com o trabalho degradante.
     A quem incomoda a dignidade humana? A quem incomoda a beleza, a resistência, a sensualidade, a honestidade, a capacidade de organização do pobre? A quem incomoda a imagem bonita dos menos favorecidos? A quem incomoda a denúncia das injustiças da pobreza? Incomoda aos ricos e incomoda a uma parcela da classe média. Pra existir um rico quantos pobres tem que existir? Me perguntou um dia um carvoeiro, cansado de trabalhar, desde criança.
     Ataliba dos Santos estava cansado de não assinar a carteira, não estudar, cansado de nãos... E cansado de não ter respostas. Enquanto fotografava pensava a quem interessa o desequilíbrio social? No Brasil, o trabalho infantil não é conseqüência da pobreza, mas sim instrumento financiador dela. Empregar crianças significa lucro fácil. A exploração infantil gera o desemprego dos pais, trabalho escravo, crianças doentes, subnutridas, morando em precárias condições, prejudicadas na sua capacidade intelectual e no seu direito à educação, lesadas no seu direito ao lazer, ao carinho, à alegria; sem infância.
     “A gente custa muito pra entender que nasceu pra ser peixe de engordar gato que engorda rico e, em casa, a gente fabrica com todo amor os próximos peixinhos. Pra fugir disso, botei todo mundo pra estudar, mas sinto um aperto no peito porque sei que o ensino é muito ruim. Filho de pobre, mesmo depois de estudar um, dois, quatro anos, continua analfabeto. “As palavras de José dos Santos, carvoeiro na região do serrado, em minas Gerais expressam a luta para mudar uma realidade.
     José dos Santos está tentando romper uma corrente perversa que alimenta uma cadeia de trabalho degradante nas carvoarias brasileiras, assim como nos sisais, nas fazendas, nos canaviais, nas pedreiras e em vários setores do segmento rural que alimentam indústrias urbanas. O trabalhador que vive em trabalho degradante ou análogo a escravo, é, na sua imensa maioria, analfabeto, e foi explorado como trabalhador infantil. Aconteceu assim com seus pais e seus avós. O caminho normal é acontecer com os filhos e netos.
     Infelizmente, ainda não existe no Brasil uma política social que faça a associação entre trabalho infantil e trabalho degradante, análogo a escravo ou escravo, de forma a romper esse círculo. A realidade é que o trabalhador escravo de hoje foi o trabalhador infantil de ontem. A realidade do trabalho nas carvoarias brasileiras merece uma análise diferenciada. Muitas vezes o trabalho não é considerado trabalho escravo, outras vezes sim. Porém, sempre é um trabalho extremamente pesado e quase sempre, mesmo em casos de carteira assinada, um trabalho degradante. Acaba com a saúde do trabalhador. Muitas vezes, olhar uma carvoaria em pleno vapor é, do ponto de vista humanitário, algo inaceitável.


Fonte: não lembro!!!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Manifesto Nacional "Por que aplicar 10% do PIB na educação pública?



Carta de Lançamento da Campanha Nacional

Por que aplicar já 10% do PIB nacional

na Educação Pública?


            A educação é um direito fundamental de todas as pessoas. Possibilita maior protagonismo no campo da cultura, da arte, da ciência e da tecnologia, fomenta a imaginação criadora e, por isso, amplia a consciência social comprometida com as transformações sociais em prol de uma sociedade justa e igualitária. Por isso, a luta dos trabalhadores na constituinte buscou assegurá-la como “direito de todos e dever do Estado”.

            No entanto, o Estado brasileiro, por expressar os interesses dos ‘donos do poder’, não cumpre sua obrigação Constitucional. O Brasil ostenta nesse início de século XXI, se comparado com outros países, incluindo vizinhos de América Latina, uma situação educacional inaceitável: mais de 14 milhões de analfabetos totais e 29,5 milhões de analfabetos funcionais (PNAD/2009/IBGE) – cerca de um quarto da população – alijada de escolarização mínima. Esses analfabetos são basicamente provenientes de famílias de trabalhadores do campo e da cidade, notadamente negros e demais segmentos hiperexplorados da sociedade. As escolas públicas – da educação básica e superior – estão sucateadas, os trabalhadores da educação sofrem inaceitável arrocho salarial e a assistência estudantil é localizada e pífia.
 
            Há mais de dez anos os setores organizados ligados à educação formularam o Plano Nacional de Educação – Proposta da Sociedade Brasileira (II Congresso Nacional de Educação, II Coned, Belo Horizonte/MG, 1997). Neste Plano, professores, entidades acadêmicas, sindicatos, movimentos sociais, estudantes elaboraram um cuidadoso diagnóstico da situação da educação brasileira, indicando metas concretas para a real universalização do direito de todos à educação, mas, para isso, seria necessário um mínimo de investimento público da ordem de 10% do PIB nacional. Naquele momento o Congresso Nacional aprovou 7% e, mesmo assim, este percentual foi vetado pelo governo de então, veto mantido pelo governo Lula da Silva. Hoje o Brasil aplica menos de 5% do PIB nacional em Educação. Desde então já se passaram 14 anos e a proposta de Plano Nacional de Educação em debate no Congresso Nacional define a meta de atingir 7% do PIB na Educação em … 2020!!!
 
            O argumento do Ministro da Educação, em recente audiência na Câmara dos Deputados, foi o de que não há recursos para avançar mais do que isso. Essa resposta não pode ser aceita. Investir desde já 10% do PIB na educação implicaria em um aumento dos gastos do governo na área em torno de 140 bilhões de reais. O Tribunal de Contas da União acaba de informar que só no ano de 2010 o governo repassou aos grupos empresariais 144 bilhões de reais na forma de isenções e incentivos fiscais. Mais de 40 bilhões estão prometidos para as obras da Copa e Olimpíadas. O Orçamento da União de 2011 prevê 950 bilhões de reais para pagamento de juros e amortização das dívidas externa e interna (apenas entre 1º de janeiro e 17 de junho deste ano já foram gastos pelo governo 364 bilhões de reais para este fim). O problema não é falta de verbas públicas. É preciso rever as prioridades dos gastos estatais em prol dos direitos sociais universais.
 
            Por esta razão estamos propondo a todas as organizações dos trabalhadores, a todos os setores sociais organizados, a todos(as) os(as) interessados(as) em fazer avançar a educação no Brasil, a que somemos força na realização de uma ampla campanha nacional em defesa da aplicação imediata de 10% do PIB nacional na educação pública. Assim poderíamos levar este debate a cada local de trabalho, a cada escola, a cada cidade e comunidade deste país, debater o tema com a população. Nossa proposta é, inclusive, promover um plebiscito popular (poderia ser em novembro deste ano), para que a população possa se posicionar. E dessa forma aumentar a pressão sobre as autoridades a quem cabe decidir sobre esta questão.

            Convidamos as entidades e os setores interessados que discutam e definam posição sobre esta proposta. A idéia é que façamos uma reunião de entidades em Brasília (dia 21 de julho, na sede do Andes/SN). A agenda da reunião está aberta à participação de todos para que possamos construir juntos um grande movimento em prol da aplicação de 10% do PIB na educação pública, consensuando os eixos e a metodologia de construção da Campanha.
 


Junho de 2011.



ASSINAM ESSE MANIFESTO: ABEPSS, ANDES-SN, ANEL, CFESS, COLETIVO VAMOS À LUTA, CSP-CONLUTAS, CSP-CONLUTAS/DF, CSP-CONLUTAS/SP, DCE-UFRJ, DCE-UnB, DCE-UFF, DCE UFRGS, ENECOS, ENESSO, EXNEL, FENED, MST, MTL, MTST/DF, MUST, MOV. MULHERES EM LUTA, OPOSIÇÃO ALTERNATIVA, CSP-CONLUTAS/RN, PRODAMOINHO, SEPE/RJ, SINASEFE, SINDSPREV, SINDREDE/BH, UNIDOS PRÁ LUTAR.




Fonte: http://dezporcentoja.blogspot.com/